Se fotografar é recorrer-se e utilizar a luz como ferramenta,
o que é possível fotografar quando quase não há luz?
Este projeto nasceu do meu interesse em superar a dificuldade 
de fotografar em baixa luz e de traduzir o movimento. Procurei entender se 
esta dificuldade vinha de uma falta de preparação técnica, como a escolha de 
lentes, iluminação e filtros, ou se era apenas uma questão de referências visuais.
Quanto tempo é preciso para que algo seja interiormente compreendido?
A fotografia ‘’borrada’’, ou blurry, assim
também como a desfocada, transcende uma
mera preferência estética, é um convite para 
entrar num universo para além da 
nitidez, onde o sentimento e as formas 
predominam. Desde o início da fotografia,
este tipo de técnica tem sido
intencionalmente  utilizado para romper com 
as convenções, registando de forma 
visceral o movimento, a emoção
 e a natureza transitória do 
tempo num único enquadramento.
São estas as dimensões que, vibrantemente, me animaram nesta série. Espero que 
se deixem contagiar pelo meu entusiasmo.

Existe aqui um diálogo entre subjetividade e objetividade. Um encontro 
entre o que está na superfície: símbolos, o "esforço", uma técnica;
e as formas que se abrem a imaginação, e tentam ser
 lidas a expressividade e intuição.
Este ensaio fotográfico foi produzido como projeto de conclusão da formação
artística em Projeto Artístico Fotográfico, oferecido pela Sociedade Nacional de 
Belas Artes de Lisboa, em 2025, e desenvolvido sob a orientação do fotógrafo 
Carlos Carvalho. O trabalho resultou numa exposição individual em 2026,
apresentada com curadoria de Cláudia Domingues no Edifício Central do 
Município de Lisboa.

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